A cidade é nossa horta

Marco Clausen

Do lado de fora, monoculturas de milho, eucalipto, carros e concreto. Do lado de dentro, pessoas regam plantas, coletam sementes, cuidam das abelhas, consertam bicicletas, constroem móveis e produzem hortaliças, em uma experiência de terra compartilhada que existe há dez verões em Berlim.

Há quase dez anos, ajudei a iniciar o projeto Prinzessinnengarten, uma proposta de jardinagem no bairro de Kreuzberg, no centro de Berlim. Naquele verão de 2009, com a ajuda de centenas de voluntários e moradores, começamos a transformar um lote vago de 6 mil m2 em uma horta urbana com finalidades sociais e educativas. O Prinzessinnengarten ou Jardim das Princesas, a princípio um sonho romântico, tornou-se, com o passar dos anos, um lugar bastante conhecido, quase uma instituição.

Para que a iniciativa fosse autossustentável economicamente foi criada uma empresa sem fins lucrativos capaz de gerar recursos por meio de visitas guiadas, restaurante, serviços de paisagismo, venda de plantas, venda de materiais e realização de conversas e workshops. Além de financiar o aluguel, a equipe de 24 funcionários e diversas outras atividades, a empresa produz um excedente e sustenta o trabalho de vários grupos sem fins lucrativos. Estimamos que, a cada verão, aproximadamente mil voluntários também se envolvam na construção e na manutenção do jardim.

Saindo da estação de metrô e entrando no jardim pela movimentada rotatória, encontramos um lugar com ritmo e atmosfera bastante incomuns. Centenas de caixas de cultivo abrigam 500 espécies de plantas comestíveis, arquiteturas são improvisadas com contêineres e centenas de árvores não cultivadas agrupam-se ali. São vestígios de uma rede complexa de relações mútuas entre os humanos e os não humanos, assim como de relações sociais bastante distintas: pessoas regando plantas, coletando sementes, cuidando das abelhas, consertando bicicletas ou construindo móveis com materiais reutilizados. Essas atividades abertas fazem do lugar uma escola auto-organizada de transformação social e ecológica, onde o conhecimento compartilhado vai do cultivo orgânico, da biodiversidade e do “faça você mesmo” até as políticas urbanas, o engajamento da vizinhança e a mobilização comunitária.

Lugares como o Prinzessinnengarten refletem a necessidade de buscar outras maneiras de morar juntos, trabalhar e consumir. Sentimo-nos expostos a uma série de processos que não apenas excedem nossa compreensão e capacidade de agir, mas também parecem estar fora do controle de especialistas e de políticas existentes. Seja pelos escândalos da produção de alimentos, pela mudança climática, pelo esgotamento de recursos, pelo crescimento populacional ou pela crise do sistema econômico, nosso desconforto está crescendo, mas com ele cresce também a necessidade de fazer algo. O jardim — e especialmente a prática de cultivar nossa comida — conecta nossa vida diária a questões globais. Abster-nos do uso de pesticidas nos sensibiliza ao seu uso na agricultura convencional; o cultivo local torna visíveis os milhares de quilômetros que nossa comida normalmente viaja; e cultivar a maior diversidade possível de plantas nos permite reconhecer o deserto ecológico deixado pelas monoculturas ou pelos gramados bem aparados.

Como uma espécie de heterotopia, um lugar diferente, Prinzessinnengarten ou espaços desse tipo podem alterar a maneira como olhamos para a cidade: não apenas como um lugar para carros, concreto e capital, mas um lugar de diversidade, abertura, coexistência, trocas, cuidado coletivo e ajuda mútua. As pessoas frequentemente se referem ao Prinzessinnengarten como um “oásis na cidade”. Nesse espaço semipúblico, as crianças têm a oportunidade de correr livremente, as pessoas sentam-se no bar para comer pizzas com ingredientes regionais, enquanto outras organizam programações de filmes, shows, performances ou mercados de pulgas.

Há uma qualidade social, sensorial e emocional específica em lugares verdes como esse, autoconstruídos, geridos coletivamente, parcialmente selvagens e não planejados. Chegam visitantes de todo o mundo, árvores crescem espontaneamente, abelhas zunem, coisas são improvisadas, o lugar nunca está terminado. A sensação de oásis é particularmente percebida quando consideramos o contraste diante do desenvolvimento urbano movido pelo lucro que começa imediatamente do outro lado da cerca.

Esses espaços livres têm o potencial de catalisar a imaginação de uma cidade diferente — e, ao mesmo tempo, o ato de agarrar uma pá e começar a construí-la — mas, é claro, há problemas no paraíso. Conflitos internos, precariedade econômica, relações de poder informais. Há pessoas que se empoderam e outras que são deixadas de fora. Também há consequências involuntárias ligadas às estruturas econômicas de que todos nós somos parte. As imagens de homens e mulheres jovens, predominantemente brancos e de classe média, começando a cultivar comida na cidade se tornaram tão populares que até empresas de carros e eletricidade passaram a usá-las para propagandear produtos que representam o oposto do que motiva a maioria das pessoas engajadas na “agricultura urbana”. O sentimento de ser cooptado foi uma das razões pelas quais mais de 150 projetos de agricultura urbana na Alemanha publicaram em 2014 o manifesto “A cidade é nossa horta”, uma tentativa de definir coletivamente os objetivos políticos compartilhados.

Na última década, centenas de hortas comunitárias foram iniciadas na Alemanha, tão diversas quanto as pessoas e plantas que se encontram nelas. O que essas hortas têm em comum, além de cultivar comida localmente, é que são projetos de iniciativa comunitária. O cultivo não é entendido como um passatempo prazeroso ou um refúgio privado. Em vez disso, o que está em jogo é o uso alternativo da terra urbana, a autossuficiência e o trabalho comunitário – questões societais mais amplas. As hortas urbanas demonstram na prática uma abordagem ecológica e socialmente diferente dos espaços urbanos e seus habitantes, permitindo o empoderamento de comunidades marginalizadas e a oportunidade para microeconomias locais. De forma desobstruída e pragmática, levantam a questão de como queremos viver em nossas cidades no futuro, enfrentando questões como biodiversidade, alimentação saudável, reciclagem, justiça ambiental, mudança climática e soberania alimentar.

A plataforma Nachbarschaftsakademie (Academia da Vizinhança, em português) foi fundada em 2015 para discutir as práticas do Prinzessinnengarten e sua relação com a transformação socioecológica. Foi construída uma estrutura experimental de madeira, um caramanchão que usamos como um edifício escolar para a Academia e como um espaço comum aberto a todos. Convidamos artistas, ativistas e pesquisadores para compartilhar experiências e ideias sobre o comum, as economias solidárias e o direito à cidade. A vizinhança, para nós, não é constituída apenas por nossos entornos geográficos imediatos. Ela também abrange grupos com ideias e práticas de interesses semelhantes. Entendemos o processo de aprendizado coletivo como um instrumento para conectar espaços, ideias e métodos, para trabalhar com diferentes disciplinas e práticas e para incluir formas de conhecimento não padronizadas.

Mas também estamos conectados por meio do fluxo global de mercadorias e por uma biosfera compartilhada. Todos os dias, cada um de nós do norte global se relaciona com terras, ecossistemas e formas de trabalho em outras partes do planeta, frequentemente de maneira destrutiva. Um processo que conecta todos nós é a urbanização global – e a fome insaciável de uma economia extrativista baseada no crescimento ilimitado. Mais da metade da população mundial já vive em cidades e, em breve, serão dois de cada três seres humanos. Áreas metropolitanas são entidades meramente consumidoras, usam a maior parte da energia, materiais e comida que são colhidos, produzidos e extraídos em áreas rurais, florestas ou oceanos. E as cidades também produzem a maior parte do lixo e da emissão de gases.

A maioria das aglomerações urbanas depende de um sistema frágil de agricultura industrializada e globalizada, que é também um antigo sistema de apropriação de terras. Exploramos a terra, a água e os recursos naturais de lugares que já foram florestas tropicais insubstituíveis ou moradia de grupos indígenas e seres não humanos.

Não estamos preocupados apenas com a produção de alimentos, mas também com as oportunidades de construir pontes entre o urbano e o rural e fomentar comunidades locais. Com o artista Brett Bloom, iniciamos uma pesquisa sobre o futuro da comida e os efeitos do colapso climático na agricultura regional. Partindo da leitura do relatório de risco emergente de uma empresa global de seguros, visitamos pessoas na cidade e no campo. O relatório, ponto de partida da investigação de diferentes realidades do cultivo de comida — de hortas comunitárias a operações agrícolas em grande escala —, descreve um terrível futuro próximo com enormes perturbações climáticas, conflitos alimentares que duram anos e destroem capacidades regionais de produção e grande mortandade de pessoas historicamente oprimidas.

Por um lado, encontramos outras narrativas, modelos de agricultura mantidos por comunidades e pessoas engajadas politicamente na luta mundial pela soberania alimentar e por seus coletivos de cultivo. Mas, por outro, também encontramos obstáculos à mudança da relação de produção dos alimentos em prol de uma maneira que assegure nossa sobrevivência e a do planeta. E o elemento-chave para a mudança é o sistema de propriedade privada da terra.

Na área em torno de Berlim, um processo selvagem de privatização levou à maior concentração de terras e à industrialização da agricultura. A terra arável se tornou alvo da especulação, e os preços em disparada tornam quase impossível a agricultura em pequena escala. As consequências são desertos ecológicos e sociais: monoculturas de milho e pinheiros, pecuária industrial, uso massivo de herbicidas, tudo isto administrado por grandes empresas e grandes máquinas, que destroem ecossistemas, texturas sociais de vilarejos e a relação de cuidado com a terra e o solo.

A apropriação da terra em áreas rurais, que ocorre de forma quase invisível para nós, consumidores urbanos, tem muito em comum com os processos de gentrificação na cidade. A transformação da terra em uma mercadoria para lucrar, a especulação e a tomada por enormes empresas e fundos de investimentos são forças motrizes por trás do aumento dos aluguéis e dos valores imobiliários em uma cidade como Berlim.

Prinzessinnengarten vive na pele as consequências das políticas de privatização. A terra que usamos pertence ao município. No entanto, ela era administrada por uma companhia imobiliária pertencente à cidade com a missão de vender terras públicas ao proponente com a maior oferta. De forma similar, outras propriedades e serviços anteriormente públicos foram vendidos nas últimas duas décadas, incluindo eletricidade, água e habitação social. 

No verão de 2012, um investidor quis comprar a área em Moritzplatz onde o Prinzessinnengarten está localizado. A horta em si era vista apenas como um projeto de uso temporário. Apesar do Senado de Berlim ter usado o Prinzessinnengarten como um exemplo positivo de engajamento cívico e da atratividade de uma Berlim “selvagem e linda”, não havia um plano para garantir o seu futuro. Decidimos escrever uma carta aberta, combinando-a com uma petição chamada “Deixem crescer!”.

Usamos a carta para conscientizar sobre o futuro em risco do Prinzessinnengarten, mas também para promover a solidariedade com outras iniciativas ameaçadas pela expulsão e chamar atenção para a privatização contínua daqueles que eram “espaços alternativos” de Berlim — terras publicamente acessíveis que, durante décadas, haviam oferecido espaço gratuito para usos culturais, sociais ou ecológicos. O apoio de 30 mil pessoas dentre moradores do bairro, iniciativas amigas, pesquisadores e ativistas de todo o mundo impediu a privatização.

O caso do Prinzessinnengarten é uma situação comum enfrentada por muitas hortas comunitárias criadas nos últimos anos que, por terem começado informalmente, sem serem reconhecidas como parte essencial da infraestrutura social, educacional e ecológica da cidade, não têm perspectivas de longo prazo. É por isso que o acesso à terra é uma das principais demandas do Manifesto do Cultivo Urbano que prega “uma mudança de paradigma em direção a uma cidade amigável para as hortas. De forma similar à cidade amigável aos carros, que deu a cada cidadão o direito a uma vaga de estacionamento, a cidade amigável para as hortas deve fornecer natureza urbana acessível a pé… Hortas urbanas são nosso hábitat. É nelas que a diversidade está se reunindo, perspectivas estão crescendo e uma sociedade baseada na sustentabilidade está evoluindo. Queremos que nossas hortas criem raízes aqui. A cidade é nossa horta”.

A ameaça da perda dos espaços livres e das práticas de baixo para cima de construção do comum é sintomática das mudanças que Berlim tem sofrido nos últimos anos. O domínio da propriedade privada e particularmente a crise econômica de 2008, que canalizou dinheiro para o mercado imobiliário, ameaçaram a cultura de espaços livres e abertos pela qual Berlim é famosa. Ao longo dos últimos 20 anos, diferentes grupos — de agentes culturais a ativistas políticos — tomaram como certa a acessibilidade à cidade. Enquanto as ocupações desapareciam como prática após a legalização ou a expulsão violenta pela polícia, faziam-se frequentes os usos temporários e informais de espaços abandonados para práticas artísticas e culturais, cultivos e formas alternativas de moradia. Um ecossistema de espaços abertos floresceu sob condições de baixa pressão mercadológica, propriedade incerta, implementação omissa de regulações e uma atitude geral de tolerância e até amor pelo improvisado, o artesanal e o inacabado.

Os muitos terrenos baldios de Berlim, tomados por gramas que crescem espontaneamente, flores e árvores, raposas, borboletas e pássaros, eram um símbolo dessa abertura. A prevalência de lotes vagos na cidade está ligada à história de Berlim: os bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, a divisão da cidade ao meio durante a Guerra Fria, a desindustrialização e o declínio econômico que se seguiram à queda do Muro de Berlim, tudo contribuiu para o abandono da terra no centro da cidade.

A abordagem do planejamento urbano pós-guerra acentuou a vacância de certas áreas como a Moritzplatz, onde o Prinzessinnengarten existe hoje. Uma força motriz fundamental por trás dessa abordagem era a noção de que a cidade deveria acomodar as necessidades dos carros em vez de dar suporte às necessidades das pessoas. No início dos anos 1960, uma grande rodovia foi projetada para a região de Moritzplatz, cortando violentamente um dos bairros mais densos da Europa. Foi a resistência da vizinhança, combinada com um planejamento falho e uma crise econômica, que criaram os nichos e condições em que diferentes lugares puderam prosperar.

A situação em Berlim mudou dramaticamente nos últimos anos. Um relatório publicado recentemente no jornal The Guardian afirma: Berlim é a primeira cidade do mundo quando se trata do aumento nos preços de imóveis. Em abril deste ano, 25 mil pessoas tomaram as ruas para protestar contra a “loucura dos aluguéis”. Depois de uma longa onda de privatização e especulação, a questão imobiliária voltou à agenda política. Construções movidas pelo lucro estão empurrando as pessoas para fora de suas casas. Pequenos comércios fecham as portas. Grupos da sociedade civil e espaços educacionais e culturais recebem cartas que exigem um aumento de quatro vezes no aluguel. Hortas são destruídas para abrir espaço para condomínios de luxo. Perdemos o espaço público, no qual nos encontramos em nossa diversidade e que é crucial para uma sociedade democrática. O Estado parece falhar conosco quando se trata do direito a uma moradia decente e acessível. A cidade se torna um privilégio para aqueles que podem pagar. Uma monocultura de carros, concreto e lucro destrói a diversidade da vida e desmantela o tecido social que criamos coletivamente todos os dias.

As experiências e o conhecimento que derivam de práticas de construção do comum e auto-organização pouco são ensinados nos departamentos de administração de empresas, direito, arquitetura ou gestão de instituições de educação formal. Depois da experiência do Prinzessinnengarten, alguns de nós decidiram lutar por uma perspectiva de longo prazo e uma maneira de passarmos de usuários temporários a administradores. Para nós, ativismo e aprendizado auto-organizado são inseparáveis. Ou, como diz Paulo Freire em sua Pedagogia do oprimido: “A libertação é uma práxis, que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo”.

Perseguindo essa forma de autoeducação coletiva, começamos recentemente uma Escola Noturna do Comum, com o objetivo de reunir o conhecimento necessário para manter o Prinzessinnengarten em Moritzplatz como um espaço comum pelos próximos 99 anos. Queremos abrir a perspectiva para temporalidades que vão além de nossa expectativa de vida, incluindo não apenas a participação no processo de planejamento, mas uma forma democrática de propriedade que dê voz às pessoas que a usam, ao lado da vizinhança e do município ao qual pertence a terra.

A escola auto-organizada é aberta a todas e a todos. Nós convidamos iniciativas de moradores, outros espaços auto-organizados, especialistas e agentes para nos ajudarem a formular ideias para o futuro. Queremos abrir nossa imaginação para além do que é tomado como certo. É por isso que estamos falando sobre um processo de “produção de desejos”. A mudança começa com o direito a sonhar. O que eu chamei de espaços diferentes ou heterotopias transformam esse exercício do sonho em algo que não é apenas intelectual, mas também tangível.

Do ponto de vista global, nós ocupamos apenas um pedaço de terra e abarcamos só algumas pessoas. No entanto, a luta por outra maneira de cuidar da terra é travada em todo lugar. Quando os índios Sioux, de Standing Rock, enfrentaram canhões com água congelante, eles não apenas estavam lutando pelo direito à terra de seus ancestrais, eles se descreviam como protetores da água, fonte de vida para humanos e não humanos. Eles criaram uma onda de solidariedade, desafiando o direito privado de extrair, queimar e transportar combustível fóssil com o fim de lucrar.

Recentemente, tivemos uma aula na Escola Noturna sobre a ZAD – Zona a Defender. Uma coalizão de fazendeiros locais e ativistas parou, depois de meio século, a construção planejada de um mega-aeroporto no oeste da França. Eles não lutavam apenas contra o aeroporto, mas também contra “o mundo que ele representa”. Ao longo dos últimos dez anos, eles transformaram a terra disputada no maior exercício de construção do comum na Europa, reconstruindo fazendas, casas, padarias, reunindo uma rede de apoiadores e experimentando outras formas de viver juntos. Depois da vitória da luta contra o aeroporto, o governo francês decidiu esvaziar a terra com cassetetes e gás lacrimogêneo. As pessoas resistiram e reconstruíram para proteger o que Naomi Klein descreve como um modelo para todos nós: “Devemos dar início ao mundo que queremos defender. Essas brechas em que pessoas se encontram para construir um futuro bonito são importantes”.

Esses lugares não apenas resistem, eles criam alternativas, experimentos diante da crise social e ecológica global. As possibilidades do amanhã crescem nas brechas dos processos de planejamento tradicionais, alimentadas por desejos e necessidades sociais. Ao mesmo tempo, há o risco de que esses lugares, os movimentos que eles representam, assim como as visões, narrativas e os termos que eles criam sejam apropriados pelo processo que transforma espaços comuns em mercadorias, alternativas em estilos de vida e bairros pobres em áreas gentrificadas. É por isso que lutamos por uma outra forma de propriedade. Uma propriedade que não nos dá o direito de explorar, mas, sim, a responsabilidade de cultivar e cuidar; não o direito de extrair, mas, sim, o controle para criar vida nas ruínas do capitalismo, como diria Anna Tsing, na esperança de que também as borboletas possam criar uma tempestade.

Como citar este artigo

CLAUSEN, Marco. A cidade é nossa horta. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, número 12, página 62 - 65, 2018.

Marco Clausen

Fundador, junto a Robert Shaw, da Nomadisch Grün, empresa sem fins lucrativos responsável pela administração do Prinzessinengärten.