O AVÔ DA MATA
Texto de Ana Gabriela Morim de Lima, Haroldo Cavalcante de Lima e José Diniz
Projeto Paubrasilia, fotografias de José Diniz
A partir do diálogo entre uma antropóloga, um botânico e um artista visual, este ensaio busca recontar algumas das histórias de destruição e re-existência do pau-brasil, nos ensinando sobre como viver e morrer em tempos de crise.
Este velho ancestral adornado por bromélias tem rugas que guardam a memória de muitos tempos. A árvore, com idade estimada em 600 anos, ergue-se imponente no sul da Bahia, num fragmento de Mata Atlântica próximo ao Monte Pascoal. Talvez ela já estivesse ali em 1500, na primeira porção de terra avistada pelos colonizadores portugueses que veio a ser nomeada Brasil. Testemunha silenciosa do encontro entre mundos distantes, a árvore assistiu à devastação da Mata Atlântica e ao genocídio de seus povos originários. Resistiu, contudo, enraizada onde hoje floresce um assentamento do Movimento Sem Terra (MST) que recebeu seu nome popular, o Assentamento Pau-brasil.
Para os agricultores familiares que com esta árvore convivem, ela é mais do que uma árvore: é o “avô da mata”, também chamada de “pau-brasil rei”, o guardião de uma história que se desdobra em raízes profundas. Nela, se entrelaçam múltiplas temporalidades: coevolução entre espécies, transformações históricas, mitos, trajetórias pessoais e narrativas de amor e de luta entre humanos e outros que humanos.
Todos sabem, ou deveriam saber, que o pau-brasil é hoje uma das árvores mais raras da Mata Atlântica. Desde 1992, ele está na lista das espécies ameaçadas de extinção, fato confirmado em 2012 pelo Centro Nacional de Conservação da Flora e em 2022 pelo Ministério do Meio Ambiente. Poucos sabem, entretanto, sobre as suas histórias de resistência. O que se perde, afinal, com a extinção dessa espécie? O que está implicado nas atividades humanas que a ameaçam ou, ao contrário, que atuam em sua conservação? Que alianças e cuidados entre humanos, o pau-brasil e outras espécies companheiras são possíveis para remanejar e reflorestar mundos ameaçados?

Ibirapitanga, 2022.
Ibirapitanga, como é conhecida pelos povos de língua tupi, significa “pau avermelhado”. Este nome reflete a principal característica pela qual a árvore foi inicialmente reconhecida: a cor de sua madeira, de onde era extraída o corante que se tornou altamente cobiçado pelos europeus no século XVI. Assim, os portugueses a chamaram de pau-brasil por sua cor de brasa, enquanto os franceses a nomearam inicialmente arabutan, uma corruptela de ibirapitanga, e mais tarde de bois de pernambouc, em referência a uma das regiões onde a árvore costumava ser encontrada.
Vermelho-escuro é também a mancha que tinge o amarelo intenso das flores de aroma cítrico e adocicado. Cheiro e cor são atrativos centrais de localização que guiam abelhas, borboletas e outros visitantes ocasionais em direção ao néctar. Sua floração, um evento raro, é uma oportunidade preciosa para a polinização. Ela acontece uma vez ao ano, com duração de dez a quinze dias, cada flor permanecendo aberta por apenas 24 horas. A frutificação ocorre cerca de um mês depois da floração e, de trinta a quarenta dias mais tarde, os frutos amadurecem. Das sementes espalhadas pelo solo que escapam da predação de pequenos mamíferos e aves, nascem novas árvores, agregadas em comunidade. Ao redor da árvore-mãe encontram-se muitas plântulas-filhas e netas. Assim, a morte de uma árvore adulta ameaça também o futuro das próximas gerações. A compreensão do sistema reprodutivo do pau-brasil e, principalmente, de suas relações ecológicas e de polinização, é essencial para a conservação desta espécie, como aprofundado por Lais Borges e colaboradoras em estudo publicado na Revista Flora em 2009.
O pau-brasil é uma árvore da família botânica Leguminoseae, também conhecida como Fabaceae, endêmica da floresta atlântica. A linhagem evolutiva do pau-brasil é muito antiga e isolada de outros parentes mais próximos, com origem estimada entre 50 e 45 milhões de anos atrás, no Eoceno. É, assim, uma sobrevivente das várias mudanças geológicas e climáticas pelas quais já passou o planeta e, nesse sentido, tem muito a nos contar. Especula-se que ela era amplamente distribuída na costa atlântica durante o período do último glacial máximo, se adaptando a solos secos e climas mais áridos. Contudo, na passagem do Pleistoceno ao Holoceno, quando o ambiente se tornou mais quente e úmido, a floresta tropical úmida avançou ao longo de toda a costa brasileira. Desde então, o pau-brasil passou a ser encontrado preferencialmente em matas relictuais, restrito aos remanescentes de floresta estacional em áreas de terras baixas litorâneas.

Florescência, 2023.
Em 1785, o naturalista francês Jean-Baptiste de Lamark identificou a espécie como Caesalpinia echinata, por conta da casca espinhosa dos frutos. Mais recentemente, em 2016, a espécie foi renomeada e classificada em um gênero exclusivo: Paubrasilia echinatta (Lam.) Gagnon, H.C. Lima & G.P. Lewis. Hoje, contudo, o que se conhece pelo epíteto pau-brasil é muito mais amplo. Estudos avançados de sequenciamento genético assinalaram a existência de cinco linhagens atualmente conhecidas e que precisam ser igualmente priorizadas pelas ações de conservação: o pau-brasil nordeste, cuja abrangência vai do Rio Grande do Norte a Alagoas; o pau-brasil folha de arruda sudeste, exclusivo do Rio de Janeiro; o pau-brasil folha de café, típico do Espírito Santo; o pau-brasil folha de arruda bahia e o pau-brasil folha de laranja, do sul da Bahia, conforme o estudo publicado no American Journal of Botany em 2023 por um grupo de pesquisadores do Reino Unido, Canadá e Brasil.
Nomear algo, como sugere a filósofa belga Isabelle Stengers, não é um ato neutro, puramente descritivo ou linguístico, mas uma operação pragmática que gera efeitos. É também um gesto de poder que revela como nos relacionamos com o mundo. Na ciência, na política ou na vida cotidiana, quem tem o direito de nomear? Quem pode falar o quê, representar o quê? Que histórias e conhecimentos são silenciados e invisibilizados na prática taxonômica? Como podemos pensar modos de nomeação que reconheçam a diversidade de perspectivas e a coexistência entre saberes e práticas divergentes, sem apagar suas diferenças?
Cortar uma árvore e com ela fincar uma cruz na terra foi o primeiro ato de apropriação dos portugueses que chegaram em território indígena. À catequização imposta por eles se seguem diversas imagens da exploração do pau-brasil e dos indígenas que realizavam seu corte e seu transporte. Do valioso e raro corante, extraíam-se diferentes matizes de vermelho, púrpura, escarlate e carmim, cores que eram símbolo do clero e da nobreza europeia. Mas o rubro, da madeira brasa e do sangue indígena, tornou-se também símbolo da violência que rotulou a Costa do Brasil à semelhança da Costa do Marfim, Costa dos Escravos, Costa da Mina e Costa do Ouro em África, como ressaltou o historiador Eduardo Bueno em seu livro de 2002 Pau-brasil. Ou ainda, como nos sugeriu a antropóloga Karen Shiratori: a hecatombe socioambiental que atingiu a Mata Atlântica, o pau-brasil e os povos originários em 1500 bem poderia ser nomeada de Rubroceno.
Como seria possível a exploração sem precedentes de uma árvore até então desconhecida, em meio a uma das florestas de maior biodiversidade do mundo? Portugueses, holandeses e franceses não “descobriram” o pau-brasil, tampouco os indígenas serviram apenas ao corte e ao transporte da madeira: o conhecimento sobre essa árvore e seu uso só se tornou acessível por meio da convivência com esses povos e da apropriação de seus saberes e práticas. O que se conhece, afinal, sobre esses saberes, entre povos originários do passado e do presente? Muito pouco. No entanto, essas histórias, embora silenciadas, deixaram pistas entre materiais sobreviventes e ainda estão por ser contadas da perspectiva indígena.
Estudiosos de vestígios arqueobotânicos sugerem que a madeira de pau-brasil poderia ser usada pelos indígenas como lenha e suas cinzas manuseadas para extração de tinta, nos conta Bueno a partir de suas pesquisas. Viajantes e cronistas, como o francês Jean de Léry, relatam que os Tupinambá usavam o pau-brasil em fogueiras, na confecção de arcos, bordunas e no tingimento de penas e fibras de algodão, como seria o caso dos famosos mantos tupinambá. Junto com o pau-brasil, vários desses objetos rituais foram levados para a Europa e encontram-se hoje em coleções de diversos museus.
Em vez de tomá-la de antemão como memória perdida, esquecida ou extinta, não seria possível reavivar essa história entre os povos que habitam até hoje as regiões onde, inclusive, remanescentes de populações nativas de pau-brasil ainda podem ser encontrados? Como disse a intelectual, artista e antropóloga Glicéria Tupinambá em 2021 na Revista Zum: “Vejo a nossa cultura como um pote jogado num lajedo, os pedaços espalhados em tudo o que é lugar. Agora temos que montar feito um quebra-cabeça”.

Jornal do Brasil, 2022.
Em 1856, a malveína foi sintetizada pelo químico inglês William Perkin. Este corante artificial passou a imitar a coloração avermelhada que até então era obtida apenas pelo pau-brasil. Com a malveína, o mercado de pau-brasil entrou em declínio e a espécie caiu temporariamente no esquecimento. Contudo, àquela altura, os europeus já haviam descoberto outra qualidade da madeira brasa: as especificidades de suas propriedades físicas e vibracionais, tendo em vista que a combinação entre densidade, rigidez, elasticidade e flexibilidade a tornam ideal para a fabricação de arcos de violino e para a tradição de instrumentos de corda de modo mais amplo, tal como aprofundado em diferentes estudos como por exemplo o de Iris Brémaud, publicado em 2024 na revista Holzforshung.
Como também nos contam Eduardo Bueno e Haroldo C. de Lima, no epílogo do livro Pau-brasil, tais características revolucionaram a música clássica no século XVIII que, até então confinada aos salões, alcançou a dimensão dos grandes concertos e orquestras. O pau-brasil é também uma “árvore que faz música”. Para qualquer músico profissional, a qualidade do arco transforma completamente o som: uma espécie de “apaixonamento” acontece entre seu corpo e o do arco, permitindo que, juntos, possam alcançar o virtuosismo.
Desde o século XVIII, madeiras tropicais são utilizadas na fabricação de arcos, mas foi Françoise Xavier Tourte, reconhecido archeteiro de Paris, que consolidou o uso da madeira do pau-brasil e a forma moderna do arco. A archetaria é uma artesania especializada, uma tradição familiar desenvolvida na Europa e trazida apenas mais recentemente para o Brasil. Contudo, a maioria dos músicos e dos archeteiros desconhecem a origem da madeira utilizada na fabricação dos arcos, cujo valor pode alcançar cifras exorbitantes.
Embora o comércio do pau-brasil seja regulado por uma série de acordos globais, com destaque para a Convenção Internacional das Espécies em Perigo de Extinção (CITES) assinada pelo Brasil em 1975, tais medidas se mostram insuficientes. E mesmo o governo brasileiro proibindo o corte de pau-brasil nativo, o uso de madeira ilegal para a fabricação de arcos, extraída muitas vezes de parques nacionais e unidades de conservação, é hoje a maior ameaça ao pau-brasil. O inverso é igualmente verdadeiro: a extinção não só do pau-brasil, mas de todo seu sistema socioecológico, é a maior ameaça para a tradição dos archeteiros e para o futuro da música clássica que deste sistema fazem parte.

Herbarium, 2023 e Brasa, 2022.
Nos últimos anos, um considerável conhecimento científico vem sendo produzido sobre o pau-brasil. Estudiosos vêm se dedicando à variação morfológica, à diversidade genética, à localização e ao mapeamento de fragmentos florestais onde sobrevivem exemplares nativos, ao sistema reprodutivo e à estrutura e à dinâmica das populações em condições naturais. Desde os anos 1960, diferentes planos e ações vêm sendo implementados no Brasil visando a conservação do pau-brasil, como a criação de unidades de conservação para a proteção de remanescentes nativos, a produção de mudas para o plantio e o reflorestamento de áreas degradadas.
A primeira iniciativa de reflorestamento com pau-brasil foi em 1928 nas margens da barragem de Tapacurá, em Pernambuco. Só após mais de cinquenta anos ocorreram outros plantios, como parte de um esforço de archetários, artesãos e/ou proprietários de fábricas de arcos para instrumentos de cordas, no Espírito Santo. A partir dos anos 2000, os plantios voltados à produção de arcos se intensificaram e se expandiram para o Sul da Bahia. Um novo caminho para aprimorar o conhecimento sobre o pau-brasil é aberto a partir do diálogo entre archetários, botânicos e engenheiros florestais que passaram a se envolver na projeção de tais plantios. Cabe notar, porém, que grande parte desses cultivos ainda segue o modelo da monocultura tradicional, com riscos para a perda da diversidade inter e intra-específica.
Como pensar, então, a extinção, a conservação e a restauração do pau-brasil no contexto da sociobiodiversidade? Primeiramente, essa reflexão não deve se restringir ao pau-brasil enquanto “espécie ameaçada de extinção”, “recurso natural” ou “matéria-prima”, mas precisa abarcar as suas relações ecossistêmicas e multiespecíficas, os territórios que o abrigam e os diversos conhecimentos a ele associados que não podem ser valorados apenas em termos econômicos. Nossa aposta é que a Mata Atlântica, o pau-brasil e as suas espécies companheiras – povos tradicionais e agricultores familiares, bem como pesquisadores de diversas áreas, músicos, artistas e archetários – possam ser potentes aliados na defesa da sociobiodiversidade.
Como apontam Silke Lichtenberg e colaboradores em artigo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment em 2025, diferentes iniciativas vêm sendo realizadas nos últimos anos com foco na conservação do pau-brasil, seja para o estabelecimento de plantios comerciais, a implementação de manejo florestal ou a restauração ecológica de áreas degradadas. Um exemplo importante é o trabalho desenvolvido pelos indígenas Pataxó da Cooperativa Cooplanjé em parceria com organizações não governamentais, que reflorestou áreas de Mata Atlântica no corredor ecológico Monte Pascoal – Pau-Brasil no sul da Bahia, com espécies endêmicas da região, incluindo o pau-brasil. “São espécies que já estão em extinção e que a gente precisa trazer de volta”, disse o indígena Matias Santos em matéria publicada no site da Mongabay Brasil.
Essa fala nos chama atenção para uma ideia recorrente entre diferentes povos indígenas, e que foi bem sintetizada por Elisabeth Povinelli para os povos do Território Norte da Austrália: as coisas não nascem nem morrem simplesmente, mas existem por meio de um esforço de atenção e cuidado mútuo, e assim como podem mudar de estado, se afastarem umas das outras ou irem embora, também podem voltar e re-existir.

Mão, 2021.
É isso que nos mostra igualmente a história do “avô da mata”, árvore ancestral há mais de 500 anos enraizada numa terra arrasada pelos impactos da ocupação colonial, com a qual abrimos este ensaio. Até pouco tempo atrás, a existência desta árvore esteve envolta em mistério. Apesar da ocorrência de pau-brasil na área do assentamento ter sido registrada durante estudos em parceria com os técnicos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a árvore gigante era mantida em segredo pelos agricultores do Assentamento Pau-brasil, que temiam a sua derrubada por madeireiros. Até que sua história e localização foi amplamente divulgada em 2018 pelo botânico Ricardo Cardim.
Os assentados, agricultores familiares em luta pela reforma agrária, praticam a cabruca, sistema agroflorestal em que o cultivo do cacau é integrado à floresta: as árvores nativas, várias delas ameaçadas de extinção, oferecem sombra e umidade que beneficiam o crescimento dos cacaueiros. O cultivo do cacau cabruca é fruto da aliança política e do conhecimento compartilhado entre agricultores familiares e pesquisadores da CEPLAC, implicados na implementação de ações de pesquisa e inovação associadas à lavoura cacaueira e aos sistemas agroflorestais. Devastadas pelo surto do fungo vassoura de bruxa nos anos 1990, algumas fazendas do Sul da Bahia foram e são foco de assentamentos resultantes de processos de reforma agrária e conflitos por terra na região. A cabruca é hoje praticada pelos assentados em meio às ruínas das fazendas dos antigos “coronéis do cacau”. Contudo, em vez do foco na monocultura do cacau, que levou à decadência da economia cacaueira da região nas décadas passadas, os assentados cultivam e manejam a diversidade, além de coletarem sementes para o reflorestamento: pau-brasil, jequitibá, jatobá, cedro, copaíba… Floresta em pé!
Em meio às ruínas coloniais, outras práticas podem ser cultivadas e, com elas, também a possibilidade de fazer florescer novos e antigos conhecimentos acerca do pau-brasil. Ambientes degradados se tornam, assim, lugares de emergência e re-existência, num chamado à regeneração. A cabruca, onde vive o “avô da mata”, é um exemplo de “agricultura como ciência na e da floresta”, como destaca a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha. Um modo de cultivar alianças multiespécies no enfrentamento ao habitar colonial e à domesticação generalizada segundo interesses (de certos) humanos e à dispensa de coletividades de humanos e outros que humanos historicamente violentadas.
Como na conversa do velho Tupinambá com Jean de Léry registrada há mais de 400 anos, quando o indígena lhe pergunta:
“Por que vindes vós outros, maírs e pêros (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?”
Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas.
“E porventura precisais de muito?”
Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.
“Ah! Tu me contas maravilhas, mas esse homem tão rico de que me falas não morre?”
Sim, disse eu, morre como os outros.
“E quando morrem para quem fica o que deixam?”
Para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos.
“Agora vejo que vós outros maírs (franceses) sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados”.
Ana Gabriela Morim de Lima
Antropóloga, professora da UFES e pesquisadora associada ao CEstA/USP, NAIPE/UFRJ e L’UMR PALOC (IRD/MNHN). Realiza desde 2004 projetos com o povo Krahô e coorganizou os livros Vozes Vegetais e Práticas e saberes sobre agrobiodiversidade.
Haroldo Cavalcante de Lima
Biólogo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e professor do Programa de Pós-graduação em Botânica da Escola Nacional de Botânica Tropical.
José Diniz
Artista visual, recebeu o Prêmio FUNARTE Marc Ferrez de Fotografia e tem obras no Museum of Fine Arts Houston, BnF France, MAR – Rio e MAM-Rio/Joaquim Paiva, dentre outros. Desenvolve o Projeto Paubrasilia desde 2002.
Nota
O trecho final deste ensaio foi adaptado do livro Viagem à Terra do Brasil de Jean de Léry. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1961. Tradução de Sérgio Millet.
Como citar
MORIM DE LIMA, Ana Gabriela; LIMA, Haroldo Cavalcante de; DINIZ, José. O avô da mata. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, seção Extra! [conteúdo exclusivo online], 30 jan. 2026.