Brasil Plantations era o nome da companhia fundada na Inglaterra, na década de 1920, para explorar o plantio de algodão no norte do Paraná. O negócio não deu certo e os ingleses resolveram lotear mais de 500 mil alqueires de terra, que obtiveram em troca da implantação da malha ferroviária.

O baixo preço e o slogan “terra sem saúva” contribuíram para o boom nas vendas já na década de 30, quando começaram a chegar, além de mineiros e paulistas, imigrantes italianos, alemães, russos, eslavos, espanhóis, holandeses, poloneses, ucranianos.

Mas os primeiros foram os japoneses, em caravana. Quando a “pequena Londres” contava poucas centenas de moradores, um deles era Haruo Ohara, filho mais velho de Kuniju e Massaharu Ohara. Haruo acompanharia a derrubada da mata para plantio de café, o rápido adensamento e a industrialização de Londrina.

No pós-guerra, quando a imagem do Japão estorvava nipodescendentes mundo afora, ele veria suas terras (e a de outros colonos pioneiros) desapropriadas para a construção do novo Aeroporto - o que não impediu que Haruo continuasse na região por mais 50 anos, que esta se tornasse a segunda maior colônia japonesa do Brasil, e que ele ali fizesse milhares de fotografias, dentre as quais a destes espectadores assistindo a vida passar pelas frestas de um muro de madeira.